Falar sobre pessoas que passam muito tempo acamadas exige considerar os prejuízos provocados pela falta de movimento. Eles afetam órgãos, músculos, ossos, pele, todo o corpo sofre efeitos colaterais e uma das maneiras de diminuir essas perdas é trocando a pessoa de posição ao leito.
Conforme a matéria anterior, são várias as posições a serem experimentadas durante o dia e hoje abordo a posição semi-lateral (ou decúbito semi-lateral).
Nesta posição a pessoa é deitada inicialmente de lado (direito ou esquerdo) e levemente inclinada para trás (foto) ou para a frente. O que tem de especial essa posição?
Imagina ficar duas horas deitado de lado apertando teu ombro de baixo e com o de cima caindo para a frente. 2hs!!!
O "pulo do gato" deste posicionamento é que inclinando (caindo levemente) o tronco para trás automaticamente aliviaremos a pressão sobre o ombro de baixo e abriremos o de cima.
Agora desce um pouco... vá até acintura - a inclinação do tronco para trás também diminui a pressão sobre a cabeça do fêmur (lateral) e sacro (acima das nádegas) - principais locais onde formam-se as feridas.
Descendo mais um pouco, joelhos e tornozelos são locais que exigem atenção na hora de posicionar e também se beneficiam com o decúbito semi-lateral.
Além do ajuste corporal, a posição semi-lateral proporciona conforto e leveza para a pessoa acamada.
***
E agora o MÓVEL - o melhor amigo na hora das transferências.
Conhece? Já utiliza no dia a dia?
Uma toalha de banho maior ou um lençol dobrado ao meio (abrir foto) entre o lençol da cama e a pessoa. Tente utilizá-lo SEMPRE, seja nos rodízios ao leito, nas transferências da cama para a cadeira de rodas ou poltrona e vice-versa.
O objetivo do MÓVEL é evitar pegar direto na pessoa e diminuir a sobrecarga para o(a) cuidador(a), que pegará nas laterais do móvel e não em seus braços e pernas (lembrando que o ideal é sempre trabalhar em dupla).
Quando pegamos pelo MÓVEL reduzimos os riscos de acidentes, evitamos manchas roxas nos locais onde se aperta, machucados na pele e mesmo luxações, exemplo frequente é a luxação de ombro em pessoas que sobreviveram ao AVC.
Esta forma de transferir protege inclusive a cabeça das pessoas que ainda não a sustentam e facilitam demais a vida do(a) cuidador(a) que realiza o rodízio das posturas ao leito, pois precisará puxar o móvel e não todo o peso da pessoa a cada troca de posição.
Caso você tenha dificuldade em começar a utilizá-lo, entre em contato, será uma alegria ajudar.
Se este conteúdo foi útil ou ficou com dúvidas, deixe seu comentário. Aproveita e cadastra seu e-mail para receber as próximas matérias assim que forem publicadas.
Movimento é pra todo mundo!
Abraço,
Letícia B. Fagundes
CREFITO -95.953-F
Especialização em Fisioterapia Neurofuncional
Pós Gr em Neuropsicopedagogia Clínica (em curso)
Comentários
Postar um comentário