Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de julho, 2021

A volta pra casa

Mais informações sobre saúde cognitiva ... O percurso de volta pra casa foi em silêncio... Margarida tentava absorver mentalmente as informações recebidas durante a consulta e Julião resistia ferozmente a aceitar o absurdo dito pelo médico.  Ao parar o carro, o taxista conhecido da família há anos, precisou avisar: - Chegamos Da. Margarida, precisam de ajuda? E a resposta veio afiada: - Não tem ninguém doente aqui! Disse Julião. Margarida acertou a corrida e apertou seu braço em agradecimento pela paciência e pressentindo mais momentos como aquele... O taxista compreendendo a situação: - Até amanhã S'Julião! Pego o senhor as 18hs para o clube do Bolinha? - Quem confirmou foi Margarida, pois Julião já havia batido a porta da frente e deveria estar afundando em sua poltrona... O clube do Bolinha é o encontro semanal entre amigos (já foi maior, mas hoje seguem 8 bons amigos) que acontece há mais de 10 anos, todas as quintas-feiras. Inicialmente cada semana na casa de um, mas nos últim...

Margarida e Julião!

Dona Margarida, 82 anos, uma pessoa ativa física e mentalmente, sempre praticou algum esporte, lia todos os lançamentos da 'Seleções', mas não contava pra ninguém afinal,  Seleções era "só" romance água com açúcar (risos...). Sua rotina hoje se divide entre autocuidados e gerenciamento da casa, mas nem sempre foi assim, por muito, muito tempo ela deixou de lado seu cuidado e viveu para sua casa, família, filhos,... Filhos e netos cresceram e Margarida se viu sozinha com o marido novamente.  Julião sempre foi assim, rabugento sabe? Nunca gostou de muito movimento ou agitação, se perdia nos inúmeros livros de contabilidade dos clientes, que com sua competência conquistou, e desde que se aposentou, sua melhor amiga é a poltrona da sala, que inclusive, guarda a forma do seu corpo. Há 06 anos S'Julião passou a ficar mais quieto ainda e algumas vezes irritava-se por tudo ou por nada surpreendendo todos a sua volta, Margarida com olhar afiado observou e compartilhou suas...

Em harmonia cuidamos melhor.

Filtro dos Sonhos A sintonia do trabalho realizado pelos familiares, cuidadores e fisioterapeuta resulta em um ambiente confiante para o idoso (seja ele portador de demência ou não). Mas como fazer esse ajuste com a equipe? Gente! Todos nós temos o mesmo objetivo: manter o idoso independente. E para isso é fundamental traçar objetivos comuns desde o primeiro contato (lá na avaliação). O propósito do trabalho em conjunto será manter a pessoa com sua vida ativa e isso não se limita a fazer exercício durante o atendimento, caminhar ou conseguir dar um banho. A interação pró ativa deverá acontecer durante todo o dia, 7 dias por semana, ao longo dos meses e anos que se seguem, por toda a equipe: familiares cuidadores, fisioterapeuta e estendido aos amigos próximos também! "A hora do almoço sempre foi o melhor momento da vida dela."   Outro aspecto importante é separar o que é de cada um.  Com o passar do tempo, o vínculo construído entre o cuidador e o paciente pode se...

Fases da Demência e a Fisioterapia Neurofuncional

Link de acesso a live neurofisio nas demências 1 Esquecer faz parte da nossa capacidade mental, não é "somente" um sinal de doença; As alterações na fase inicial da demência passam despercebidas tanto pelo doente, quanto pelos familiares; Contextualizar o ambiente onde a pessoa com demência vive faz parte da avaliação fisioterapêutica, assim como informar e orientar a família sobre o manejo adequado; Acompanhamento fisioterapêutico neurofuncional desde as fases iniciais adia perdas funcionais e permite que o mapa mental do movimento (engramas motores) sejam fortalecidos; Associar  ao trabalho motor,  estímulos neurocognitivos que desenvolvam foco, atenção e processamento da informação,  são indispensáveis no plano fisioterapêutico de pessoas com demência; TODA e CADA intervenção deve ter significado concreto: "doce amarelo com furo no meio", cheiro gostoso de bolo é do bolo. Informações trazidas da live realizada no @lbfneurofisio, confira! Conscientizar é informar,...

Não atropele: envelhecimento não é sinônimo de demência.

Ter em mente o conceito de indepe ndência é indispensável e determinante para a manutenção da qualidade vida e independência de qualquer pessoa idosa. Independência é a desassociação de um ser em relação a outro, do qual dependia. É o estado de quem ou aquele que tem autonomia. (Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa)   O envelhecimento natural evolui com diminuição progressiva das habilidades motoras, mentais e perceptuais e isso implica diretamente em algumas atividades de vida autônoma, mas, por si só, não é demência. A demência é uma condição clínica produzida por diferentes e inúmeras causas, caracterizada por múltiplos déficits cognitivos que provocam alterações na função, ocupação e socialização da pessoa (idosa ou não). Envelhecer acompanhado de demência seguirá com: excesso de apego aos próprios valores; dificuldade de aceitar o novo; supervalorização de situações; conflitos com a realidade (atual); negação de problemas existentes; labilidade afetiva, depressão e ...

Vamos fazer um brinde!

Um brinde?  Este é o seu copo e esse, o  meu... Convidar o idoso para beber água e compartilhar com ele esse momento evita que as plantinhas da casa morram afogadas e a pessoa desidrate. Não é verdade? Quantas vezes oferecemos água e depois do primeiro (e minúsculo) gole ele ou ela nos olham com cara de quem chupou um limão? Brincadeiras a parte, se tem algo quase unânime é a pouca atração que os idosos sentem pela água, justo ela, tão necessária para o bom funcionamento do nosso corpo e as desculpas são variadas: não tem gosto ou tem gosto ruim; é fria ou é morna; eu não sinto sede de água; eu faço muito xixi depois de beber "muita" água e por aí vai... E falando em muita água, qual será o volume ideal? Segundo a Organização Mundial da Saúde, é indicado consumir 2L de água por dia. Esse volume pode variar um pouco para cada pessoa, mas é uma boa referência. A desidratação pode provocar confusão, irritabilidade, desatenção e sensação de estar "fora do ar". Mais sina...

Bola de neve

Há os que amam as baixas temperaturas e também os que amam o último dia do inverno, mas talvez a primavera não tivesse o mesmo encanto sem o frio que a antecede. Amores a parte, o inverno com suas baixas temperaturas pode provocar problemas sérios nos idosos, como sobrecarga do coração, encarangar-se, problemas vasculares nas mãos e nos pés, desidratação e quedas. Não é difícil o idoso "congelar" após o banho ou breves caminhadas em dias frios. Isso porque a resposta do corpo ao frio não é tão rápida, os vasos (veias e artérias) se estreitam - e o coração tem que trabalhar mais. Essa situação pode evoluir para um infarte ou até mesmo AVC. Mãos e pés sofrem pela exposição e não raro, idosos apresentam alterações inflamatórias nas extremidades (pontas dos dedos) com risco inclusive de amputações. A briga para que bebam água aumenta nos dias gelados, pois outros líquidos apetecem e aquecem mais, mas lembre-se: nada substitui a ÁGUA. Mantenha as  pessoas  idosas e com problemas n...

Qual a pergunta do teu corpo?

Se DOR é sempre uma resposta, o estado do tecido não determina seu aparecimento ou intensidade e não é sinônimo de lesão (machucado); como gerenciar, manejar, livrar-se dela? Essa é a pergunta da VIDA!  Nas diversas culturas a dor é interpretada de diferentes maneiras ao longo da história, dentre elas: o conceito de dor física ou moral, de castigo divino e até sinal de maturidade a definiu.  P ara o Homem ela é uma inimiga a ser combatida desde a era das cavernas e segue nos dias atuais mesmo que, fisiologicamente, seja um sinal de alarme e preservação da vida. Que a dor aguda tenha bem clara sua função defensiva, a crônica não parece ter qualquer vantagem; são múltiplas, variadas, persistentes e responsáveis pela busca incessante das pessoas por tratamentos a fim de cortar "este mal" pela raiz. E agora vem a ciência nos informar que aprendemos a sentir dor e que esse aprendizado é colocado em prática de tempos em tempos, principalmente passados 03 meses de dores persistentes...

Descubra a pergunta e encontrará a causa

Se DOR é sempre uma resposta, descubra qual a pergunta - que encontrará a causa, certo?  Uhmmm... depende. Programas de auto-gerenciamento, inseridos em diferentes técnicas para o tratamento da dor, são considerados eficazes em diminuir a dor crônica, melhorar a função e humor em jovens, entretanto (ainda) pouco se sabe sobre a eficácia dessa prática em idosos. Faço questão de iniciar a matéria de hoje com trechos da publicação anterior porque, ou procuramos entender que dor é uma resposta, ou jamais encontraremos a causa e menos ainda a trataremos de maneira correta. Isso tudo para dizer que a grande maioria das dores crônicas não apresentam lesão, dano ou cicatriz "mal curada",... A maioria das dores crônicas, inclusive as que vem e vão sem explicação, são respostas aprendidas e armazenadas pelo  corpo (sistema nervoso periférico e central) - desde os nervos lá do dedinho do pé, medula espinal até o cérebro. Você vai perguntar então:  - Meu pescoço pode doer ...
IASP, 2020 Além desta definição, cabe informar que DOR: não é sinônimo de lesão (ou machucado), nem de cicatrização incompleta ou sub-tratamento; o estado do tecido (pele, músculo, osso,...) não determina a existência ou sua intensidade, mas a percepção implícita (aprendida) de ameaça; toda dor que se repete por 03 meses é considerada crônica, passa a ser entendida (pelo corpo) como uma disfunção e não é, obrigatoriamente, diária. Dor é um tema bastante amplo e tão subjetivo que demanda tempo, atenção e empatia para sua total avaliação e compreensão. Nas matérias desta semana tentarei descrever de maneira simples alguns aspectos envolvidos neste fenômeno que incapacita tanta gente no mundo todo para ajudar o/a leitor(a) na compreensão e, quem sabe, redução desta resposta. ✖   Reduzir a avaliação da dor a sua intensidade é, no mínimo, irresponsável, visto que ela sofre influência e responde a fatores biopsicossociais. Então vamos conversar sobre auto-gerenciamento da dor? O que isso...

Semi-lateral ao leito

Falar sobre pessoas que passam muito tempo acamadas exige considerar os prejuízos provocados pela falta de movimento. Eles afetam órgãos, músculos, ossos, pele, todo o corpo sofre efeitos colaterais e uma das maneiras de diminuir essas perdas é trocando a pessoa de posição ao leito. Conforme a matéria anterior, são várias as posições a serem experimentadas durante o dia e hoje abordo a posição semi-lateral (ou decúbito semi-lateral). Nesta posição a pessoa é deitada inicialmente de lado (direito ou esquerdo) e levemente inclinada para trás (foto) ou para a frente. O que tem de especial essa posição? Imagina ficar duas horas deitado de lado apertando teu ombro de baixo e com o de cima caindo para a frente. 2hs!!! O "pulo do gato" deste posicionamento é que inclinando (caindo levemente) o tronco para trás automaticamente aliviaremos a pressão sobre o ombro de baixo e abriremos o de cima. Agora desce um pouco... vá até acintura - a inclinação do tronco para trás também diminui ...

Rodízio

Quem precisa ser movimentado/transferido sente medo, insegurança, náusea ou pode não entender o que está acontecendo. Tenha consideração. 1. Utilize um lençol dobrado ao meio ou toalha de banho grande entre o lençol da cama e a pessoa; 2. Afaste travesseiros e almofadas para que não atrapalhem; 3. Centralize a pessoa no meio da cama antes de iniciar qualquer posicionamento (isso reduz o risco de acidentes); 4. Desloque a pessoa sempre pelo móvel (lençol ou toalha); pegue ou puxe pelas laterais do móvel de transferência - EVITE PEGAR diretamente nos braços ou embaixo dos ombros; 5. Para transferir as pernas da pessoa, aproxime uma da outra e pegue-as juntas por baixo dos joelhos; 6. EVITE torcer o corpo da pessoa! 7. Atente para não deitar a pessoa sobre dobras do lençol ou da roupa (mesmo a costura da roupa íntima ou fralda) - elas podem machucar a pele e formar feridas (úlcera de pressão ou escaras); 8. Faça um rodízio: horário x posição - isso ajudará a organizar a sequência das ...