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O percurso de volta pra casa foi em silêncio... Margarida tentava absorver mentalmente as informações recebidas durante a consulta e Julião resistia ferozmente a aceitar o absurdo dito pelo médico.
Ao parar o carro, o taxista conhecido da família há anos, precisou avisar:
- Chegamos Da. Margarida, precisam de ajuda?
E a resposta veio afiada:
- Não tem ninguém doente aqui! Disse Julião.
Margarida acertou a corrida e apertou seu braço em agradecimento pela paciência e pressentindo mais momentos como aquele...
O taxista compreendendo a situação:
- Até amanhã S'Julião! Pego o senhor as 18hs para o clube do Bolinha?
- Quem confirmou foi Margarida, pois Julião já havia batido a porta da frente e deveria estar afundando em sua poltrona...
O clube do Bolinha é o encontro semanal entre amigos (já foi maior, mas hoje seguem 8 bons amigos) que acontece há mais de 10 anos, todas as quintas-feiras. Inicialmente cada semana na casa de um, mas nos últimos 3 anos, os dois amigos mais novos abraçaram a causa "para facilitar".
Neste encontro as dificuldades são expostas, conversadas e questionadas. Brigas e discussões acontecem também e ao final sentam-se todos a mesa para compartilhar o jantar feito por eles, com um bom vinho ou cerveja, ou água mesmo. O importante é brindar!
Brinda-se a vida, a amizade, as famílias, o momento e também saúdam os "cretinos" que inventam doenças... como se envelhecer já não fosse o suficiente. CONTINUA...
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A suspeita de Declínio Cognitivo muitas vezes abala familiares e mais ainda a pessoa. O o temor do desconhecido, do que vem pela frente, a insegurança de não saber quanto tempo de lucidez ainda se tem, o desespero do desfecho - sem conseguir visualizar a jornada que, infelizmente não é palpável.
Em momentos como este é fundamental reunir a família para uma conversa franca sem esconder ou minimizar as situações e assim todos terão tempo para se organizar, eventualmente ajudar e não ser surpreendido com mudanças bruscas no comportamento e humor de seu familiar.
O Declínio Cognitivo quando um sinal de doença degenerativa pode vir associado a alterações na percepção espaço x tempo e isso piora os movimentos do corpo, compromete principalmente o equilíbrio e o caminhar, mesmo quando a pessoa ainda está independente.
Esse é um dos motivos de iniciar acompanhamento fisioterapêutico o quanto antes com o objetivo de diminuir o risco de quedas e alargar independência.
Essa história vai longe e quero que você me acompanhe! Deixe nos comentários a sua experiência ou dúvida e também cadastre seu e-mail para receber a próxima matéria assim que for publicada.
Abraço,
Letícia B. Fagundes
CREFITO -95.953-F

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