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Café da tarde - parte 2.

Margarida conversou, somente e com autorização de Julião, com sua fisioterapeuta que orientou dar espaço para o marido pensar e refletir sobre essa nova informação. Os dias seguintes passaram sem ninguém mencionar o assunto.

A fisioterapeuta orientou também que Margarida deixasse Julião conversar com os filhos, a seu modo e sem interferências, isso valia para os filhos também, então Margarida entendeu sua função: controlar os ânimos dos filhos, que conhecendo os três, já esperava uma chuva de perguntas e conselhos - todos ao mesmo tempo para cima dos pais.

Dê-nos tempo, espaço e um abraço, seria seu pedido para as crianças - mais para consolá-los, do que qualquer outra coisa.

O dia da conversa aconteceu duas semanas após a consulta.

Julião estava inquieto e Margarida, ansiosa. A conversa foi marcada para depois do café da tarde de Domingo, quando todos puderam participar - sem suas respectivas famílias neste primeiro momento - seria demais para o marido.

Paulo, Humberto e a caçula Anelisa chegaram praticamente juntos, 15 minutos antes da 16:30, horário de costume do café de Domingo.

- Oi pai. Oi mãe.

-Oi pai. Oi mãe.

- Oi mãe, como foi a consulta do pai?, perguntou Anelisa para Margarida, dando um beijo no irmão mais velho.

Julião, do fundo da sua amiga poltrona, sorriu. 

Já esperava isso por parte da filha... essa era Ane.

- A quem interessar possa, gozo de muito boa saúde e meu estômago está pronto para devorar a torta de queijo que sua mãe preparou para o café. Podemos, Ida?

Após confirmação da esposa, todos foram para a cozinha e compartilharam um delicioso café da tarde em família.


Humberto estava desconfiado, esse era o seu normal para tudo, mas desta vez a desconfiança era maior porque sua mãe dispensou a vinda da neta... aí tem coisa, pensou ele.

Paulo já havia aprendido, se seus pais quisessem esconder algo, nada os faria contar antes do café e Ane, inquieta, observava os pais tentando captar algo antes dos irmãos.

E assim seguiram confraternizando, conversando e se deliciando com o café da tarde preparado pelo casal oitentão.

CONTINUA...

***

Quando este espaço é dado, o familiar terá tempo para se preparar sobre a maneira que dará a notícia aos seus filhos e se sentirá apoiado e respeitado.

A cumplicidade do casal não deve ser invadida ou desconstruída, ela é um dos alicerces mais fortes na manutenção da independência das pessoas que iniciam com Declínio Cognitivo. 

Uma rede de apoio que se forma desde a suspeita diagnóstica é fortalecida ao longo da jornada. Precisa de ajuda? Deixe-me saber.

Cadastre seu e-mail para receber as matérias assim que forem publicadas.

Abraço,

Letícia B. Fagundes

CREFITO -95.953-F

Especialização em Fisioterapia Neurofuncional
Pós Gr em Neuropsicopedagogia Clínica (em curso)



Comentários

  1. Complicado é qdo o familiar ñ aceita.

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    Respostas
    1. Pensa comigo, você aceitaria? No período de não aceitação a pessoa não se dá conta do que acontece, por isso a família precisa conversar e trabalhar para alargar a independência do doente. Evitar discussões e imposições são duas atitudes poderosas.

      Excluir

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