E essa foi a resposta de Julião à sugestão de Ane: Se não tem cura, para que reabilitar?
A filha sugeriu ao pai que iniciasse acompanhamento fisioterapêutico, pois havia escutado de alguém que era uma boa ideia manter-se ativo.
O que ela não sabia é que estava "colocando a carroça na frente dos bois", não se sugere ou impõe qualquer intervenção somente por escutar que "deve fazer bem", principalmente tratando-se de comprometimento cognitivo.
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Margarida desde o início conta com o acompanhamento da sua fisioterapeuta para conversar e também ser orientada quanto o momento apropriado de inserir as intervenções e Letícia, a neurofisio, defende que ainda é precoce.
Segundo ela, as intervenções devem começar o quanto antes nas pessoas sedentárias e pouco ativas, como é o caso de Julião, no entanto, conhecendo o marido, decidiram aguardar que ele procure ajuda. Caso isso não aconteça, mudaremos a estratégia.
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Ane como de costume, age de maneira isolada e sem conversar com os pais, quer resolver tudo para poupá-los do desgaste, mas ela esquece que eles seguem lúcidos e donos dos seus narizes e isso, além de atrapalhar, constrange, principalmente o pai.
Margarida propôs que ela conversasse com Letícia para entender, de fato, como as coisas funcionam no universo do movimento e a filha prontamente aceitou.
Durante a conversa, Ane apresentou suas dúvidas e angústias para a neurofisio de sua mãe que esclareceu principalmente sobre:
- A importância de respeitar o espaço e o papel dos pais;
- Considerar que seu pai é uma pessoa inteligente e que está tentando se adaptar a essa nova realidade - e isso demanda tempo e energia;
- Como servir de rede de apoio com quem sua mãe pudesse contar para conversar, sem chegar com soluções prontas;
- A necessidade de praticar a escuta ativa;
- Conversar periodicamente com o neurologista responsável.

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