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Se não tem cura, para quê?

 

E essa foi a resposta de Julião à sugestão de Ane: Se não tem cura, para que reabilitar?

A filha sugeriu ao pai que iniciasse acompanhamento fisioterapêutico, pois havia escutado de alguém que era uma boa ideia manter-se ativo.

O que ela não sabia é que estava "colocando a carroça na frente dos bois", não se sugere ou impõe qualquer intervenção somente por escutar que "deve fazer bem", principalmente tratando-se de comprometimento cognitivo.

***

Margarida desde o início conta com o acompanhamento da sua fisioterapeuta para conversar e também ser orientada quanto o momento apropriado de inserir as intervenções e Letícia, a neurofisio, defende que ainda é precoce.

Segundo ela, as intervenções devem começar o quanto antes nas pessoas sedentárias e pouco ativas, como é o caso de Julião, no entanto, conhecendo o marido, decidiram aguardar que ele procure ajuda. Caso isso não aconteça, mudaremos a estratégia.

***

Ane como de costume, age de maneira isolada e sem conversar com os pais, quer resolver tudo para poupá-los do desgaste, mas ela esquece que eles seguem lúcidos e donos dos seus narizes e isso, além de atrapalhar, constrange, principalmente o pai.

Margarida propôs que ela conversasse com Letícia para entender, de fato, como as coisas funcionam no universo do movimento e a filha prontamente aceitou.

Durante a conversa, Ane apresentou suas dúvidas e angústias para a neurofisio de sua mãe que esclareceu principalmente sobre:

  1. A importância de respeitar o espaço e o papel dos pais;
  2. Considerar que seu pai é uma pessoa inteligente e que está tentando se adaptar a essa nova realidade - e isso demanda tempo e energia;
  3. Como servir de rede de apoio com quem sua mãe pudesse contar para conversar, sem chegar com soluções prontas;
  4. A necessidade de praticar a escuta ativa;
  5. Conversar periodicamente com o neurologista responsável.
Inicialmente Ane julgou aquela conversa rasa demais, mas com o evoluir das explicações e, principalmente, quando Letícia apresentou como funciona o comprometimento motor nas Demências, ela quis saber mais e mais!

Agendaram novos encontros  no consultório para seguirem ajudando o pai e assim nascia, a principal rede de apoio de Julião.

***
- Bom dia pai, cadê a mãe? Perguntou Ane beijando a testa de Julião.
- Olá Ane e olhando no bolso esquerdo do casaco, respondeu; - Aqui ela não está!
- Ahhh engraçadinho! Mas falando sério agora pai, encontrei a resposta para sua pergunta.
- "Minha pergunta", indagou ele, sem entender...
- Sim! Você me perguntou para que reabilitar se Demência não tem cura? Lembra?
- Ah!!! Lá vem você com isso novamente?!
- Não. Não se preocupe, apenas quis dizer que sei a reposta.
...
- Mããããe!!!! Cadê você?????
- Sua mãe foi à fruteira Ane, fale de uma vez! Resmungou Julião, mordendo a isca lançada pela filha... 
- Pai, começou ela... faz diferença pra você, passar 01 ou 10 dias acamado? 

Atirando beijos para seu pai, Ane foi ao encontro da mãe na fruteira da esquina.

CONTINUA...

Crie sua rede de apoio desde o início e sempre que precisar, conte comigo!
Ao longo desse mês, no grupo do telegram, conversaremos sobre o papel da Fisioterapia Neurofuncional no acompanhamento das pessoas com Doença de Alzheimer e demais Demências. Junte-se a nós, link também na figura.

Abraço,

Letícia B. Fagundes
CREFITO -95.953-F

Especialização em Fisioterapia Neurofuncional
Pós Gr em Neuropsicopedagogia Clínica (em curso)




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