Esse pensamento fez Margarida ir até o quarto para conferir se o marido precisava de alguma coisa.
Há anos ela deixava as roupas de Julião sobre a cama para que, ao sair do banho, o marido não se demorasse na escolha da mesma camisa de sempre com a calça de sempre e os sapatos de sempre... hehe.
Segundo ele ninguém notava essas bobagens femininas de combinar tons e cores; para ela era uma demonstração de carinho com o marido e garantia que o "moço" não saísse de casa calçando um sapato de cada tipo, costumava brincar.
Não entendo como uma pessoa tão metódica no trabalho pode ser tão desligada com seu cuidado. Homens... dizia ela.
Ao entrar no quarto, se deparou com Julião em frente ao guarda-roupas - já irritado - procurando algo e perguntou:
- Procura alguma coisa, meu bem?
- Não encontro minha camisa azul, aquela que ganhei do Paulo no último Natal.
Margarida olhou para a camisa em cima da cama, junto com a calça, por ela ali colocada instantes mais cedo, e mostrando a peça, perguntou:
- Seria esta a camisa?
- Ahhh! Você trouxe pra mim, Ida?
...
Margarida sorriu e depois de entregar a camisa voltou aos seus afazeres. Coração apertado, lágrimas nos olhos... rapidamente tratou de ocupar-se com o preparo do café da manhã, a refeição preferida do casal.
*****
São os pequenos detalhes que nos apontam a direção, nos mostram "em que pé andam" as coisas em casa.
A rotina diária, expressar-se diferente, movimentos atrapalhados que se repetem não passam despercebidos do olhar atento do familiar e cuidador, eles detectam informações preciosas para a condução do tratamento/ manejo das pessoas com Declínio Cognitivo.
Preste atenção nos detalhes e compartilhe aquelas impressões 'estranhas' com os profissionais que acompanham você nessa jornada.
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Abraço.
Letícia B. Fagundes
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