Não. Não é "só", é a sua dúvida. E ela precisa ser esclarecida. Orientação e informação antes da alta hospitalar é direito e dever.
É isso mesmo, toda pessoa tem o direito de ser informada e orientada quanto aos cuidados necessários para seu tratamento antes de receber alta hospitalar, e de modo especial, no pós AVC ou lesão medular.
A equipe multiprofissional (seja ela multidisciplinar ou não) deverá orientar e informar pacientes e seus familiares sobre os cuidados e tratamentos imediatos indispensáveis.
O objetivo da matéria é incentivar uma conversa sobre detalhes simples que raramente são abordados. As famílias precisam ser melhor orientadas antes da alta hospitalar, informações simples potencializam a recuperação e minimizam sequelas.
Tanto o sobrevivente do AVC, que tem parte ou a totalidade dos movimentos do seu corpo comprometidos, quanto seu familiar, não fazem ideia do que os esperam na volta pra casa.
É inimaginável o sentimento de desamparo desse retorno às escuras, difícil pela condição em si e desesperadora pela falta de informação, ou pior, informações dadas as pressas horas antes de "ter que sair do hospital".
Para todos termos uma ideia, uma pessoa com sequelas moderadas pós AVC precisará de cama hospitalar, colchões anti-escaras, aspirador de secreção, fraldas, controle da dieta e da sonda nasogástrica (aquela do nariz), móvel de transferência, cadeira de banho, etc.
Precisará de alguém para cuidar de dia, de noite, finais de semana. Deverá iniciar o tratamento fisioterapêutico o quanto antes e, de preferência, os ambientes deverão estar preparados antes mesmo da chegada da sua chegada em casa; tratamento fonoterápico precoce, avaliação nutricional, serviço de enfermagem...
Deixar uma família somente com a Nota de Alta, não é descaso, é desumano.
Há previsão de alta? Chama um familiar responsável para conversar e oriente-o. Essa conversa não tomará mais de 10 minutos. Sério. Digo isso com a experiência de quem, por alguns anos, participou desta orientação pré-alta.
E sabe o que é mais bacana? Ao receber as orientações, as chances desta família trabalhar em equipe são muito maiores e consequentemente, as sequelas serão menores e as limitações melhor adaptadas e incluídas na rotina.
Então apesar de pesada, essa matéria busca ser uma luz sobre o início do percurso rumo a um processo de reabilitação que visa potencializar a recuperação e minimizar as sequelas físicas, as cicatrizes emocionais e familiares geradas pelo escasso olhar humanizado que vivenciamos com mais frequência do que se pensa.
Enquanto familiar, busque informações e recursos antes da alta hospitalar.
Aos profissionais, sejam uma ferramenta pró-ativa para a família despedaçada por um evento grave prestes a ter que se virar sozinha.
Essa conversa vale para diagnósticos de difícil aceitação também, como são as das doenças neurodegenerativas e o câncer.
Você é paciente, familiar ou profissional e precisa de auxílio nesse momento? Nossa comunidade está crescendo e se apoiando, conte com a gente!
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