"Tu (no caso, eu) és diabólica. Não sabe o que é dor e sofrimento, fica rindo de mim.
Eu perdi tudo, tudo, tudo e tu ficas rindo, eu quero que tu sintas a dor que eu tenho aqui."
Enfim, a primeira conversa aconteceu. Agora sim, movimento a caminho.
Eu sou feliz por esses momentos.
Sim, tu leste certo. Eu sou feliz por confiarem em mim ao ponto de se permitirem um pedido de socorro como esse.
Ninguém (nem mesmo eu) é capaz de entender a dor do outro, tão pouco mensurá-la.
O riso, acima referido, é frequente nos meus atendimentos, pois como sabem rio (e muito) com cada paciente, mas o que isso significa?
Ao presenciar uma pequenina resposta - conquista dessa paciente, que, sem saber, mostrou um esforço sobre-humano para conseguir controlar sua mão e fazer um carinho, quando o ímpeto não era exatamente esse, sorri, ri mesmo, comemorei: - Ele está voltando, o controle do movimento está voltando!
Ela: "Tu és diabólica.
Não sabe o que é dor e sofrimento, fica rindo de mim.
Eu perdi tudo, tudo, tudo e tu ficas rindo, eu quero que tu sintas a dor que eu tenho aqui."
Eu: sorri, ri e gargalhei ao escutá-la.
Se tem desabafo mais maravilhoso, desconheço.
O processo de reabilitação neurofuncional é, parafraseando a paciente, "diabólico", visceral; pois demanda buscar no fundo de suas entranhas, força, coragem, fé na incerteza de voltar a ser quem se é.
Abraço,
Letícia Bombassaro Fagundes
Fisioterapeuta Neurofuncional
Pós Gr em Neuropsicopedagogia Clínica
Interface Cérebro-mão no Pós AVC
CREFITO-5 95.953-F

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