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É preciso desaprender


As pessoas não querem aprender como melhorar, elas querem melhorar. E, para isso, é preciso desaprender. Complicado?

Essa sentença é tão verdadeira que, grande parcela das pessoas em reabilitação física, deixam de evoluir em seu tratamento por não conseguirem desaprender. Isso é tão verdadeiro que, não raro, escutamos:

- Eu não sei fazer de outra maneira.

Ou

- Você não entende, eu nunca fiz assim.

Insistir nas frases acima é reflexo do que se define como rigidez cognitiva, uma barreira na jornada neurofuncional.

A situação mais complexa é quando a funcionalidade começa a retornar e a pessoa não se reconhece naquele novo movimentar-se, é quando o alerta precisa ser ligado, e o reaprender, reforçado.

Passamos a vida inteira desaprendendo para continuar a aprender, desconstruímos muito e nisso, ampliamos nosso vocabulário, nossa percepção sobre o mundo, nossa escuta. Então por que não permitir reaprender a movimentar-se? 

Após uma lesão medular, por exemplo, o cérebro é forçado a reconstruir caminhos para que as transferências sejam retomadas - cama para cadeira de banho, cadeira de rodas para sofá, carro para cadeira de rodas. E da mesma forma, no pós AVC, no avanço da doença de Parkinson ou da Esclerose Múltipla.

Assim como tudo na vida, movimentar é um permanente desaprender. 

...

É insuficiente dizer: 

- A partir de agora é assim.

Isso não cabe. É preciso alimentar a inquietação infantil do brincar que temos dentro de nós para que o processo ganhe leveza.

E aí, pronto para reaprender? Se precisar de ajuda, conta comigo, formamos uma comunidade bacana, confira o perfil no instagram através do @lbfneurofisio 

Abraço,
Letícia Bombassaro Fagundes 
Fisioterapeuta Neurofuncional 
Pós Gr em Neuropsicopedagogia Clínica
Interface Cérebro-mão no Pós AVC 

CREFITO-5 95.953-F 

Direito de imagem reservado sob assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de uso de imagem.


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