Não insista, não obrigue alguém a aceitar a condição que uma suspeita de Declínio Cognitivo impõe. Dê tempo, dê espaço e acolha.
Ah! Mas a mãe/ o pai tem o direito de saber o que está por vir.
Sim. Mas será que essa explicação não é para convencer a nós mesmos da situação?
Ao perceber que a dificuldade está em você aceitar, busque ajuda, converse com os profissionais envolvidos - isso aliviará a carga e também, a ansiedade. A jornada será longa.
***
...
Então ao entrar em casa, Margarida espiou Julião afundado na poltrona e foi para a cozinha em silêncio preparar o café da tarde.
Café (desta vez, cá), bolo de manteiga, presunto, queijo, geleia de frutas, tudo como sempre fez e faz nos últimos 40 anos. A única diferença foi o silêncio.
As refeições sempre foram um momento de encontro e boas conversas, entenda-se conversas leves. Problemas se resolvem antes ou depois, não enquanto se come.
Estava tudo dentro da normalidade e assim seguiu - cada um em seus pensamentos, quando Julião quebrou o silêncio:
- Eu preciso de um tempo para pensar. Assim que eu organizar as minhas ideias conversamos com as crianças, tudo bem pra você 'Ida'?
Ida (Margarida) pegou carinhosamente a mão esquerda do marido e a afagou com o polegar.
- Mas é claro, como você quiser.
Julião levantou sua xícara de chá e convidou Margarida para um brinde:
- Saúde aos que inventaram as doenças... como se envelhecer já não fosse o suficiente... completou com seu humor ácido!
- Saúde aos que se dedicam a tratar e cuidar dos doentes, meu querido.
CONTINUA...
Aos poucos e somente aos poucos se consegue ajudar na organização da rotina de uma família que convive com os prejuízos causados pela progressão da perda cognitiva.
Conte com uma rede de apoio. Precisa de ajuda? Deixe-me saber.
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Abraço,
Letícia B. Fagundes
CREFITO -95.953-F

É preciso mta calma e paciência
ResponderExcluirVerdade. E não pode faltar muito carinho com quem cuida e com quem precisa ser cuidado.
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